Vida, pensamento e luta: exemplo que se projecta na actualidade e no futuro

Congresso

Álvaro Cunhal, o projecto comunista,
Portugal e o mundo hoje.

26 e 27 de Outubro

Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Centenário do nascimento de Álvaro CunhalCentenário do nascimento de Álvaro CunhalCentenário do nascimento de Álvaro CunhalCentenário do nascimento de Álvaro CunhalCentenário do nascimento de Álvaro Cunhal

Congresso «Álvaro Cunhal, o projecto comunista, Portugal e o mundo de hoje»

Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP

Saudação ao Congresso

Em nome do Partido Comunista Português quero transmitir as nossas mais calorosas e cordiais saudações a todos os participantes e organizadores do Congresso “Álvaro Cunhal, o Projecto Comunista, Portugal e o Mundo de hoje”.

Um Congresso que esteve e está aberto a diferentes tipos de participação e participantes, não apenas a militantes comunistas, mas a todos aqueles que, oriundos dos mais diversos sectores da vida social e política, das organizações sociais e de massas, da vida cultural ou académica, reconhecem a importância do estudo, do pensamento e acção de Álvaro Cunhal, valorizam o seu importante legado nos domínios da acção e intervenção política, social, cultural e artística, bem como o seu percurso de homem e revolucionário e o que ele traduz, não apenas como exemplo, mas como atitude, posicionamento e projecto político.

A todos os que nos honram com a sua presença, a sua participação, as suas comunicações e reflexões, mas também simples vivências e experiências de um combate partilhado em comum, o nosso sincero agradecimento.

Permitam-me que, particularmente, saúde e agradeça à Universidade de Lisboa e à sua Faculdade de Letras, nas pessoas do seu Reitor, Professor Doutor António Cruz Serra e do Director desta Faculdade que nos acolhe, Professor Doutor Paulo Farmhouse Alberto, todo o apoio e disponibilidade para a realização desta marcante iniciativa do calendário das comemorações do Centenário do nascimento de Álvaro Cunhal.

Comemorações que consideramos serem já um grande êxito e a justa homenagem que todos nós aspirávamos ver concretizada quando do seu anúncio oficial em Novembro de 2012. Comemorações que permitiram revelar numa dimensão muito elevada o homem que foi Álvaro Cunhal – esse destacado e central protagonista da nossa história contemporânea, comunista convicto, que se afirmou como um exemplo na luta pelos valores da emancipação social e humana no nosso país e no mundo –, e chamar a atenção para a sua multifacetada actividade, nomeadamente para a riqueza e profundidade do seu trabalho no domínio da intervenção e acção política a que este congresso que agora se inicia não deixará de dar um particular relevo, nomeadamente à sua importante e extensa obra teórica, não apenas porque este é o espaço adequado ao aprofundamento do seu conhecimento, mas essencialmente porque ela continua a ser, pela sua actualidade, uma referência na resposta a problemas essenciais do nosso país e do nosso tempo.

Uma obra que deu uma criativa contribuição ao desenvolvimento do materialismo dialéctico e histórico e, em particular, contribuiu para dotar o PCP de um corpo de análises, ideias e orientações que marcaram o projecto comunista e as formas concretas que veio a assumir em Portugal, que influenciaram a sociedade portuguesa. Uma contribuição criadora que está bem patente na teoria da Revolução Portuguesa ou na teoria do partido comunista que desenvolveu e cujas características essenciais sistematizou com mestria em “O Partido com Paredes de Vidro”, para se tornar também uma referência para o movimento comunista e revolucionário mundial.

Uma vasta obra produzida ao mesmo tempo que agia e intervinha na resposta aos problemas do seu povo e do seu país, e participava activamente na luta mais geral pela emancipação dos trabalhadores e dos povos no plano internacional. Num percurso que evidencia essa sua invulgar capacidade de, ao mesmo tempo, estudar e sistematizar a realidade e desenvolver um pensamento teórico e intervir nessa realidade complexa e em movimento, característica que faz da obra de Álvaro Cunhal um exemplo superior da ligação indissolúvel de teoria e prática transformadora e revolucionária.

Com este Congresso e na multiplicidade de olhares que permite sobre a sua obra, o seu percurso e sua luta, havemos de colher todos nós, estou certo, ensinamentos que nos enriquecerão e fortalecerão a luta por um mundo melhor e mais justo. A riqueza e amplitude da sua obra e da sua luta, sempre inserida no quadro do seu Partido, não deixa de fora praticamente nenhum dos domínios essenciais do combate dos que não se contentam apenas em interpretar o mundo, mas que assumem o compromisso de o transformar.

As suas análises do sistema capitalista e da evolução mundial, suas tendências e forças motoras; as suas contribuições riquíssimas à problemática da relação direcção-Partido-classe-massas; as suas análises sobre a questão central do papel da classe operária, da decisiva importância da sua unidade e a sua política de alianças nas diferentes etapas e fases da luta pela sua emancipação; as suas avaliações das experiências do socialismo e a compreensão das causas das dramáticas derrotas; as suas reflexões sobre a questão do Estado, são objecto e parte do vasto património teórico de Álvaro Cunhal.

Como parte é o seu inestimável contributo para afirmar a necessidade e actualidade do ideal e do projecto comunista, particularmente quando, perante a derrocada da URSS e de outros regimes do Leste europeu, os poderes dominantes apresentavam o capitalismo como fim da história e o projectavam numa marcha triunfal no caminho para a democracia universal, liberto de guerras e de crises.

Uma marcha que nunca se iniciou, nem podia iniciar, por que como previu e preveniu Álvaro Cunhal o capitalismo não só continuou a manter as suas características essenciais, como sistema de exploração, opressão e agressão, como no quadro da nova situação de alteração da correlação forças, momentaneamente mais liberto e menos condicionado, haveria de confrontar os trabalhadores e os povos com mais brutais e desumanas consequências.

A actual crise do capitalismo, com o seu rol desemprego, destruição económica, retrocesso social, injustiças e desigualdades são bem a confirmação de que, como afirmava Álvaro Cunhal, nem o projecto comunista de uma sociedade nova e melhor, deixou de ser válido, nem o capitalismo se mostrou ou mostra capaz de resolver os grandes problemas da humanidade.

Desse projecto onde não cabe apenas a realização dos seus grandes objectivos – a construção do socialismo e do comunismo –, mas também as múltiplas causas que dão sentido aos combates de hoje pela construção de um mundo sempre melhor e mais justo: - a causa da defesa dos trabalhadores e do povo, dos seus justos interesses e direitos, contra a ofensiva e prepotência do grande capital; a causa do combate permanente às desigualdades e injustiças sociais, e o compromisso de lutar e organizar a luta para lhes pôr termo; a luta pela liberdade e democracia; pela defesa do desenvolvimento económico, tendo como elemento integrante o progresso social; a causa da paz e pela amizade e cooperação entre os povos; a luta actual contra a política de direita e pela concretização de uma alternativa para servir o povo e o país; a causa da afirmação dos valores elementares como a igualdade de direitos, a fraternidade, a justiça social e a solidariedade humana; a garantia e valorização do papel dos povos no decidir da história e que a sociedade nova, como a experiência o comprovou, só poderá ser construída por decisão e empenhamento dos trabalhadores e do povo.

Um projecto que alguns se apressaram a declarar como definitivamente morto, mas que está não só vivo e bem vivo, como o ideal que transporta continua a iluminar o caminho dos que continuam a lutar pela concretização das mais profundas aspirações do povo, certos de que um dia ele será futuro.

Do valioso e imenso legado que Álvaro Cunhal nos deixou, está a luta pela conquista da liberdade, da democracia, por um projecto de desenvolvimento ao serviço do país e do povo e pela independência nacional. Está a luta por uma sociedade nova liberta da exploração do homem pelo homem, está uma inabalável confiança nos trabalhadores, no povo e na sua luta e num futuro melhor para a humanidade.

É essa mesma confiança que queremos e temos a obrigação de manter viva com realizações como esta que aqui nos traz para dar mais força e continuar a luta que teve em Álvaro Cunhal um exemplar combatente e que hoje é nossa!

Para todos votos de um bom e profícuo trabalho!

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