Vida, pensamento e luta: exemplo que se projecta na actualidade e no futuro

Inauguração da Exposição «Forte de Peniche, local de repressão, resistência e luta»

Intervenção de José Capucho , membro do Secretariado do Comité Central do PCP

Esta exposição contribuirá para divulgar a verdade histórica da luta do nosso povo contra o fascismo e para afirmar o valor da liberdade, da democracia e do significado e valor dos ideais de Abril

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Evocação da Fuga de Peniche

Em primeiro lugar uma calorosa saudação ao:

Senhor Presidente da Câmara Municipal de Peniche, António José,

Senhor Vice-Presidente da Câmara Municipal de Peniche, Jorge Amador,

Senhores Vereadores e membros da Assembleia Municipal de Peniche e outros eleitos em órgãos autárquicos do concelho,

À Direcção da URAP - União dos Resistentes Antifascistas Portugueses.

Uma saudação particular a todos os presos políticos aqui presentes e em particular a Jaime Serra, um dos fugitivos de 3 de Janeiro de 1960, e também a Maria Eugénia Cunhal, irmã de Álvaro Cunhal.

E a todas as entidades, em particular à Câmara Municipal de Peniche, que tornaram possível esta exposição as calorosas saudações da
Comissão das Comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal.

Camaradas e amigos:

Com as iniciativas de âmbito local que hoje se realizam, às quais a Comissão das Comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal se associa e o comício do PCP amanhã dia 4 de Janeiro, encerram-se as comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal e dá-se início às comemorações dos 40 anos da revolução de Abril.

Vamos agora inaugurar a exposição “FORTE DE PENICHE - Local de Repressão, Resistência e Luta” - que aqui estará presente durante todo o ano.

Com esta exposição, mostra-se uma das peças - os Cárceres fascistas - com que o fascismo, a par da polícia política - a PIDE - da negação das liberdades, da censura, da coacção psicológica, da pressão económica, da chantagem, da repressão generalizada, da violência institucionalizada, dos espancamentos, da tortura, dos assassinatos e da prisão, procurava neutralizar e aniquilar fisicamente os opositores ao regime e calar o protesto dos trabalhadores, dos intelectuais e da juventude com o terror e com o medo.

O fascismo deixou um longo rasto de vitimas. Mas não salvou o regime.

Os antifascistas nem na prisão deixaram de resistir e de combater.

Os cárceres fascistas, entre eles o Forte de Peniche, e o regime prisional imposto, foram concebidos e mantidos como forma de lento aniquilamento dos presos políticos.

O Forte de Peniche, foi uma das principais e mais odiosas prisões políticas do fascismo.

Funcionou entre 1934 e 1974. Estiveram aqui encarcerados 2500 presos.

Com um regime prisional marcado pela arbitrariedade, através do sistemático isolamento dos presos, da espionagem permanente, do regime alimentar desgastante, da privação de exercício físico, das restrições arbitrárias de contacto com familiares e com o exterior, das constantes ameaças, dos espancamentos, dos castigos e os maus tratos, da correspondência censurada.

Mas, como já referi, nem na prisão os comunistas e outros democratas deixaram de resistir e de combater.

Só com uma forte solidariedade entre todos, uma elevada resistência moral, uma profunda entrega e consciência revolucionária lhes permitiu manterem a sua dignidade, espírito de luta, e a confiança no futuro.

Mesmo nas mais duras condições, vencendo agruras e a prepotência, os presos estudaram, escreveram, desenharam, esculpiram, construíram com os materiais mais simples, os mais variados objectos.

Alguns aqui aprenderam a ler e a escrever e ampliaram e aprofundaram os seus conhecimentos estudando história, matemática, literatura, geografia, filosofia e desenvolveram os conhecimentos da realidade do país e do mundo, da luta de classes ...

A vida na prisão não deixou lá fora a luta do povo e do partido.

Com os devidos cuidados, com muita disciplina e rigor, desenvolvendo a imaginação e aperfeiçoando métodos, os presos conseguiram comunicar entre si e com o exterior.

Milhares de pequenas folhas manuscritas são passadas para fora e para dentro da prisão. Na prisão o partido mantém-se organizado, com um funcionamento democrático - eleição dos responsáveis, discussão de assuntos internos e da vida e intervenção do Partido, do apuramento colectivo das discussões efectuadas.

Contra a prepotência a luta é organizada e muitas vezes o opressor é obrigado a recuar.

Um dos principais objectivos do preso era sair para voltar à luta, o que levou a que várias tentativas de fuga e outras tantas fugas se tenham concretizado.

Das várias fugas com êxito, para além da espectacular fuga do segredo de Dias Lourenço, a fuga de Álvaro Cunhal e outros nove dirigentes e destacados militantes do PCP em 3 de Janeiro de 1960, destaca-se pelo seu simbolismo e pelo que representou para o partido e para o desenvolvimento da luta para o derrubamento do fascismo.

Foi uma das fugas mais espectaculares de toda a história do fascismo. Porque se tratou de um numeroso grupo de destacados dirigentes e quadros do PCP. Porque fugiram de um dos mais seguros cárceres do fascismo.

Esta fuga que nos parece tão simples, exigiu um cuidadoso planeamento e rigorosa aplicação e disciplina, total secretismo e uma perfeita coordenação de acção do partido no interior e no exterior do Forte. E também a audácia e a coragem de cada um dos participantes.

A fuga de Peniche, foi uma grande vitória do PCP, o qual tendo recuperado um elevado número de valiosos quadros, desencadearia e dirigiria nos anos seguintes algumas das mais importantes lutas contra a ditadura. Da fuga de Peniche viria também a resultar, ainda um sério reforço do trabalho de direcção e de acerto da linha política do partido e da via para o derrubamento do fascismo. E em Março de 1961 Álvaro Cunhal foi eleito Secretário-Geral do PCP.

Camaradas e amigos:

A exposição retratando a cadeia do Forte de Peniche como prisão política, a vida prisional, a intervenção da PIDE no Forte e junto da população de Peniche, a luta e a resistência na prisão nas suas variadas vertentes, a solidariedade nacional e internacional com os presos políticos, as fugas, o Centenário do nascimento de Álvaro Cunhal e o 40° Aniversário da Revolução de Abril, constitui um importante contributo para com verdade,dar a conhecer o que foi a luta do povo português contra o fascismo, a sua luta dentro e fora das prisões fascistas.

Contributo também para combater as campanhas de falsificação da história. Pôr bem a claro que o fascismo existiu, que reprimiu, assassinou e brutalizou os que se lhe opuseram.

A exposição representa também uma homenagem a todos os antifascistas e à sua luta na prisão, e homenagem a Álvaro Cunhal à sua abnegação e coragem, à sua memória, ao seu exemplo que se projecta na actualidade e no futuro. A todo o seu estudo e trabalho realizado no livro “Rumo à Vitória”, base para o programa do PCP, aprovado no VI Congresso em 1965, onde são apontados os objectivos da luta antifascista, confirmados com o levantamento militar e imediato levantamento popular que derrubaram o fascismo e que o posterior desenvolvimento da revolução de Abril se vieram a confirmar como justas e ajustadas à realidade. Que as grandes conquistas democráticas corresponderam às necessidades de natureza objectiva que o país necessitava e às necessidades e aspirações dos trabalhadores e do povo português.

As conquistas e valores de Abril mantêm-se presentes na sociedade e na consciência do povo.

As conquistas e os valores de Abril, contêm os elementos fundamentais da experiência necessária para, na situação actual, optar por um caminho do futuro.

E, tal como se refere na Resolução do comité central do PCP sobre o 40° aniversário da Revolução de Abril:

“As comemorações dos 40 anos de Abril devem ser um tempo e um momento para a convergência e unidade dos patriotas, dos homens e mulheres de esquerda, dos trabalhadores e do povo, em defesa dos valores de Abril, em defesa da constituição da República, de exigência de ruptura com a política de direita e de afirmação de uma política alternativa patriótica e de esquerda”.
Camaradas e amigos:

Esta exposição tanto mais contribuirá para divulgar a verdade histórica da luta do nosso povo contra o fascismo e para afirmar o valor da liberdade, da democracia e do significado e valor dos ideais de Abril, se ela for conhecida por muitos e muitos portugueses em particular os mais jovens.

Cabe-nos a nós trabalhar para que tal seja possível, promovendo e organizando durante este ano, no âmbito das comemorações dos 40 anos da Revolução de Abril, visitas à Exposição e ao Forte de Peniche.

Fascismo nunca mais.

Viva a Revolução de Abril.

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